São José do Rio Pardo - sexta, 28 de julho de 2017
"Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos"
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Postado em: 23/02/2016

Semana Euclidiana : Aspectos redacionais no texto euclidiano - Stênio Esteter


SEMANA EUCLIDIANA:- ASPECTOS REDACIONAIS NO TEXTO EUCLIDIANO   Stenio Esteter Licenciado em Letras Modernas pela UNIVAL, Campus S.J.dos Campos;     Especialista em Análise Linguística do Texto – PUC/SP.                                               (stenioesteter@ig.com.br)   RESUMO:  Levar o aluno a ler e interagir com o texto literário como obra de arte, voltando-se para os aspectos redacionais do texto de tal modo que seja um leitor atento para os detalhes apresentados pelo autor-observador ao produzir sua obra escrita. Aspectos de leitura e produção de um texto literário como obra de arte.   - Palavras-chave:- Euclides da Cunha; “Os Sertões”; reflexões sobre leitura, análise e montagem de um texto artístico.     I.                    O QUE É REDIGIR? O QUE É UMA OBRA DE ARTE ESCRITA?   Resp.: Redigir ou escrever é o ato de meditar, refletir, tornar-se artista na produção escrita de um texto original; é criar um texto só seu; sua obra de arte escrita. O autor/escritor (produtor de um texto) aperfeiçoa sua técnica de escrita com a leitura, a análise de bons textos literários, jornalísticos, filmes, debates e conversas abertas, onde temas variados trazem novas experiências culturais para o produtor do novo texto. - - Redigir bem não depende de dom (capacidade), mas de interesse e força de vontade em produzir um novo texto que emocione um leitor. - Não há escrita sem leitura, sem reflexão, sem a adoção de um ponto de vista, sem um desejo por parte de quem escreve, de manifestar-se a respeito de um determinado assunto. - Redação é um espaço para demonstrar competência de produção literária, a qual poderá tornar-se uma obra de arte, pois o autor coloca num texto sua opinião, seu ponto de vista, suas ideias e conclusões a respeito de um tema ou assunto apresentado como desafio, pois, a partir da escrita, pode-se conhecer melhor o autor, perceber suas dúvidas, seus anseios, suas paixões, suas necessidades, suas frustrações, sua visão de mundo, seus objetivos.... - No texto redacional predomina a linguagem culta que exige grande esforço do pensamento na escolha das palavras, ideias e colocação destas nas frases, nas orações e nos períodos, a fim de que seja formado um texto coerente, motivador, que seja lido, entendido e compreendido por um leitor; para isso o texto deve revestir-se de emoção, proporcionando ao leitor o prazer de ler e o gosto por aquilo que está sendo lido. - Ajuda muito fazer leituras de textos variados, participar de debates, mesas redondas e seminário sobre temas sociais, psicológicos, culturais etc. que contribuirão para que o autor crie novas ideias e produza um novo texto, só seu. A leitura e o debate participativo ajudam muito na obtenção de informações que facilitarão o desenvolvimento do senso crítico do autor/produtor do novo texto. - Bom leitor é aquele que lê fazendo observações, analisando e aprofundando-se nas ideias apresentadas pelo autor do texto, compreendendo e construindo mentalmente sua síntese ou seu resumo, por outro lado aperfeiçoa-se no vocabulário, nas variações semânticas das palavras, no sentido denotativo e conotativo das expressões de nossa língua, além de aprender a construir gramaticalmente correto o seu texto. II. DOMÍNIO E SIGNIFICADO DOS TEXTOS:- - Como ler, sentir, interpretar e participar da leitura do texto? Resp.:- A leitura é talvez o meio mais importante para chegarmos ao conhecimento, por isso, é preciso aprender a ler, mas interessa mais ler com profundidade do que em quantidade. - Ler é dar sentido às coisas, ao mundo, à vida. - Saber ler é o ponto de partida para dominar toda a riqueza que um texto, literário ou não, pode transmitir. Bom leitor é aquele que faz uma análise do texto lido, aprofundando-se na compreensão dos detalhes a fim de poder construir o seu próprio entendimento sobre aquilo que leu. Portanto, a primeira tentativa de leitura da obra OS SERTÕES deve ser leitura prazer; um contato amistoso com a descrição que o autor propõe ao leitor, porque cada vez que você lê uma obra literária, um romance, estuda uma lição, folheia uma revista, lê um artigo jornalístico ou assiste a um filme, seja um leitor ou um observador em profundidade! Procure penetrar no significado do texto, daquilo que lhe é proposto! Interprete! - Exercitar-se na arte de pensar, captar as ideias e criar suas próprias ideias é o objetivo principal de todas as atividades que exigem reflexão e produção de um novo texto, para isso devemos nos utilizar da criatividade que existe dentro de nós, sempre usando a palavra como veículo de nosso pensamento, desenhando através da ARTE DA PALAVRA ESCRITA um texto original, diferente, como se fosse nossa obra de arte. - ARTE É EMOÇÃO!  III. A LITERATURA E AS DEMAIS ARTES:- - A PALAVRA LITERATURA:- arte da expressão do pensamento pela palavra escrita ou falada. Arte da expressão do belo pela palavra. - LITERATURA É A ARTE DA BELA EXPRESSÃO PELA PALAVRA. - É A BELA EXPRESSÃO VERBAL.                                                                                                          - ARTES PLÁSTICAS:- (espaço, formas, cores) – pintura, escultura, arquitetura. - ARTES RÍTMICAS:- (tempo, sons, movimentos) – música, dança / coreografia, literatura. - ARTES PLÁSTICAS / RÍTMICAS:- cinema, teatro / televisão.   IV. O QUE DEVE CONTER UM TEXTO CRIATIVO ? 1. FORMA:- utilização correta da gramática, da estruturação da frase e de todos os recursos estilísticos que a língua oferece; é o emprego apropriado dos recursos necessários para a boa expressão e para a utilização correta da gramática normativa, sempre procurando aproximar-se da norma culta, já que dominar perfeitamente toda a língua portuguesa é impossível. 2. FUNDO:- corresponde ao conteúdo, mensagem do texto (pensamentos, ideias, sentimentos, fatos ou impressões que mexam com a mente do leitor, levando-o à interpretação do tema desenvolvido); nesta parte do texto o leitor fará a interpretação da mensagem que o autor transmitiu. O texto literário deve conseguir apresentar um equilíbrio entre forma e fundo (boas ideias com uma linguagem clara, correta, simples e elegante). Para que surjam ideias, é preciso que se faça um esforço de reflexão, a fim de que o texto escrito se apresente de forma adequada proporcionando ao autor um esforço na elaboração (montagem) para ser apresentado um trabalho criativo de qualidade, original. V. TIPOLOGIA TEXTUAL :- (tipos de textos que podem ser criados, variando de autor para autor e de época para época). Ex. romantismo (poesia x prosa); Parnasianismo (poesia com profundidade de forma). - Descrição, Narração e Dissertação. Enfocaremos com mais detalhe a obra euclidiana OSSERTÕES em seu aspecto descritivo, chamando a atenção para que sejam observados os detalhes descritivos nas três partes da obra: A TERRA, O HOMEM, A LUTA (sendo que a 3ª. parte descreve narrando todos os detalhes da luta do homem para poder sobreviver naquela terra agreste. O homem (aspecto antropológico) é apresentado descritivamente como agente modificador da terra, além dos aspectos geológicos, geográficos e climatológicos. 1º. DESCRIÇÃO:- ao contarmos uma história, muitas vezes precisamos descrever uma pessoa, um ser, um objeto, uma cena ou um lugar, com isso, teremos uma espécie de RETRATO feito compalavras daquilo que estamos descrevendo em seus mínimos detalhes e suas características específicas. Numa descrição podemos encontrar: A. ASPECTOS FÍSICOS OU VISUAIS - (= aspectos externos, que são vistos pelo observador). B. ASPECTOS PSICOLÓGICOS OU EMOCIONAIS - (=aspectos internos, que não são vistos pelo observador, mas podem ser sentidos ou percebidos), principalmente quando se trata de pessoas. - Uma descrição pode ser SUBJETIVA – apresenta as características externas, mas detalha com mais profundidade as características psicológicas da pessoa, personagem ou animal que se está descrevendo ou procurando retratar para um leitor. - Outra descrição pode ser OBJETIVA – predomina a observação fiel de um objeto, pessoa, cena, personagem ou animal segundo a percepção individual de quem escreve, destacando-se com exatidão e precisão vocabular todos os detalhes observados. - Um texto pode ser descritivo-narrativo, pois encontramos partes narrativas onde o autor sente a necessidade de colocar suas impressões sobre aquilo que ele vê, sente e analisa, podendo haver cenas cômicas, tristes ou jocosas no decorrer do texto. - Observe com a leitura dos textos abaixo alguns aspectos descritivos no texto euclidiano na parte O HOMEM, em OS SERTÕES, Euclides da Cunha – Edição crítica de Walnice N.Galvão – Ed.Ática. 1. CANUDOS:- pág. 157 / 159 / 160. “Canudos, velha fazenda de gado à beira do Vaza-Barris, era, em 1890, uma tapera de cerca de cinquenta capuabas de pau-a-pique.  Pág. 157. Feitas de pau-a-pique e divididas em três compartimentos minúsculos, as casas eram paródia grosseira da antiga morada romana: um vestíbulo exíguo, um átrio servindo ao mesmo tempo de cozinha, sala de jantar e de recepção, e uma alcova lateral, furna escuríssima mal revelada por uma porta estreita e baixa. Cobertas de camadas espessas de vinte centímetros, de barro, sobre ramos de iço, lembravam as choupanas dos gauleses de César. Traíam a fase transitória entre a caverna primitiva e a casa. Se as edificações em suas modalidades evolutivas objetivam a personalidade humana, o casebre de teto de argila dos jagunços equiparado ao wigwam dos peles-vermelhas sugeria paralelo deplorável. O mesmo desconforto e, sobretudo, a mesma pobreza repugnante, traduzindo de certo modo, mais do que a miséria do homem, a decrepitude da raça.” – Pág. 159. [...] Emoldurava-o uma natureza morta: paisagens tristes; colinas nuas, uniformes, prolongando-se, ondeantes, até às serranias distantes, sem uma nesga de mato; rasgadas de lascas de talcoxisto, mal revestidas, em raros pontos, de acervos de bromélias, encimadas, noutros, pelos cactos esguios e solitários. O monte da Favela, ao sul, empolava-se mais alto, tendo no sopé, fronteiro à praça,             alguns pés de quixabeiras, agrupados em horto selvagem. Ameia encosta via-se solitária, em ruínas, a antiga casa da fazenda...” – Pág. 160   2. O SERTÃO É UM PARAÍSO. – Pág. 53.   “...E o sertão é um paraíso... Ressurge ao mesmo tempo a fauna resistente das caatingas: disparam pelas baixadas úmidas os caititus esquivos; passam, em varas, pelas tigueras, num estríduo estrepitar de maxilas percutindo, os queixadas de canela ruiva; correm pelos tabuleiros altos, em bandos, esporeando-se com os ferrões de sob as asas, as emas velocíssimas; e as seriemas de vozes lamentosas, e as sericóias vibrantes, cantam nos balsedos, à fímbria dos banhados onde vem beber o tapir estacando um momento no seu trote brutal, inflexivelmente retilíneo, pela caatinga, derribando árvores; e as próprias suçuaranas, aterrando os mocós espertos que se aninham aos pares nas luras dos fraguedos, pulam, alegres, nas macegas altas, antes de quedarem nas tocaias traiçoeiras aos veados ariscos ou novilhos desgarrados...   3. MANHÃS SERTANEJAS. – Pág. 53. “...Sucedem-se manhãs sem par, em que o irradiar do levante incendido retinge a púrpura das eritrinas e destaca melhor, engrinaldando as umburanas de casca arroxeada, os festões multicolores das bignônias. Animam-se os ares numa palpitação de asas, céleres, ruflando. – Sulcam-nos notas de clarins estranhos. Num tumultuar de desencontrados voos passam, em bandos, as pombas bravas que remigram, e rolam as turbas turbulentas das maritacas estridentes... enquanto feliz, deslembrado de mágoas, segue o campeiro pelos arrastadores, tangendo a boiada farta, e entoando a cantiga predileta... Assim se vão os dias.”   3. A TORMENTA. – Pág. 51. “Mas no empardecer de uma tarde qualquer, de março, rápidas tardes sem crepúsculos, prestes afogadas na noite, as estrelas pela primeira vez cintilam vivamente. Nuvens volumosas abarreiram ao longe os horizontes, recortando-os em relevos imponentes de montanhas negras. Sobem vagarosamente; incham, bolhando em lentos e desmesurados rebojos, na altura; enquanto os ventos tumultuam nos plainos, sacudindo e retorcendo as galhadas. Embruscado em minutos, o firmamento golpeia-se de relâmpagos precípites, sucessivos, sarjando fundamente a imprimadura negra da tormenta. Reboam ruidosamente as trovoadas fortes. As bátegas de chuva tombam, grossas, espaçadamente, sobre o chão, adunando-se logo em aguaceiro diluviano...”   4. A RESSURREIÇÃO DA FLORA. – Pág.51.   “...E ao tornar da travessia o viajante, pasmo, não vê mais o deserto. Sobre o solo, que as Amarílis atapetam, ressurge triunfalmente a flora tropical. É uma mutação de apoteose. Os mulungus rotundos, à borda das cacimbas cheias, estadeiam a púrpura das largas flores vermelhas, sem esperar pelas folhas, as caraíbas e baraúnas altas refrondescem à margem dos ribeirões refertos; ramalham, ressoantes, os marizeiros esgalhados, à passagem das virações suaves; assomam, vivazes, amortecendo as truncaduras das quebradas as quixabeiras de folhas pequeninas e frutos que lembram contas de ônix; mais virentes, adensam-se os icozeiros pelas várzeas, sob o ondular festivo das copas dos ouricuris: ondeiam, móveis, avivando a paisagem, acamando-se nos plainos, arredondando as encostas, as moitas floridas do alecrim-dos-tabuleiros, de caules finos e flexíveis; as umburanas perfumam os ares, filtrando-os nas frondes enfolhadas, e – dominando a revivescência geral – não já pela altura senão pelo gracioso porte, os umbuzeiros alevantam dous metros sobre o chão, irradiantes em círculo, os galhos numerosos. É a árvore sagrada do sertão. Sócia fiel das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frisante exemplo de adaptação da flora sertaneja...”   5. O SERTANEJO. – Pág. 105.   “O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira conversa com um amigo, cai logo – cai é o termo – de cócaras, atravessando largo tempo numa posição de equilíbrio instável, em que todo o seu corpo fica suspenso pelos dedos grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula e adorável. É o homem permanentemente fatigado...”   CONCLUSÃO:- Nas cenas descritas acima predominam aspectos VISUAIS e EMOCIONAIS do autor ao visualizar a paisagem ou a cena que pretendia descrever para EMOCIONAR e MOTIVAR o leitor, sempre se preocupando com a forma (linguagem) e o fundo (mensagem) para que o leitor sinta prazer ao ler e interprete com certa dificuldade o tipo de vocabulário utilizado para descrever com elegância e precisão, com um estilo enxuto, claro, apropriado, com muita originalidade, levando o leitor a formar uma imagem concreta daquilo que está lendo e interpretando.   2º. NARRAÇÃO:- é o ato de se contar um fato, criar uma história e, para criá-la, há a necessidade de descrevermos locais, personagens, cenas, detalhes, objetos etc. Não há narração que não apresente alguns aspectos descritivos. (=descrição-narrativa). - Partes de uma boa narração:- A. Apresentação do tempo (cronológico ou físico):- local; tempo, espaço e personagem. B. Desenvolvimento do fato ou enredo:- ação e conflito. C. Clímax (tensão, ponto alto da ação). D. Desfecho (solução, conclusão da ação ou do conflito). F. Foco narrativo:- ponto de vista do narrador, como ele vê os fatos (1ª. pessoa – participa do enredo) ou (3ª. pessoa = narrador observador). Na narração há sempre alguém ou um personagem que conta o fato: O NARRADOR.   Exemplo de narração-descritiva na obra euclidiana. 1. CANUDOS – Pág. 163. “... Eram-lhes inúteis. Canudos era o cosmos. E este mesmo transitório e breve: um ponto de passagem, uma escala terminal, de onde decampariam sem demora; o último pouso na travessia de um deserto – a Terra. Os jagunços errantes ali armavam pela derradeira vez as tendas, na romaria miraculosa para os céus... Nada queriam desta vida. Por isto a propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia. Os recém-vindos entregavam ao Conselheiro noventa e nove por cento do que traziam, incluindo os santos destinados ao santuário comum. Reputavam-se felizes com a migalha restante. Bastava-lhes de sobra. O profeta ensinara-lhes a temer o pecado mortal do bem-estar mais breve. Voluntários da miséria e da dor, eram venturosos na medida das provações sofridas. Viam-se bem, vendo-se em andrajos. Este desprendimento levado às últimas consequências, chegava a despi-los das belas qualidades morais, longamente apuradas na existência patriarcal dos sertões. Para Antônio Conselheiro – e neste ponto ele ainda copia velhos modelos históricos – a virtude era como que o reflexo superior da vaidade.  Uma quase impiedade. A tentativa de enobrecer a existência na terra implicava de certo modo a indiferença pela felicidade sobrenatural iminente, o olvido do além maravilhoso anelado.O seu senso moral deprimido só compreendia a posse deste pelo contraste das agruras suportadas. De todas as páginas de catecismos que soletrara ficara-lhe preceito único:- Bem-aventurados os que sofrem... A extrema dor era a extrema-unção. O sofrimento duro a absolvição plenária; a teriaga infalível para a peçonha dos maiores vícios...”   ELEMENTOS DA NARRATIVA:- A . NARRADOR:- - Participante/Personagem (= 1ª. pessoa). - Observador/Narrador (3ª. pessoa). Permanece do lado de fora e coloca suas impressões pessoais, narrando como observador. B . FOCO NARRATIVO:- maneira como o narrador se situa em relação ao que está sendo narrado: - 1ª. pessoa (eu / nós), ou se distancia dela e escreve na 3ª. pessoa como observador/narrador. C . ENREDO OU AÇÃO:- a sequência dos fatos ou acontecimentos. D . PERSONAGEM OU PERSONAGENS:- pessoas que atuam na narrativa, além do narrador. E . TEMPO:- a extensão de tempo cronológico ou psicológico em que tudo acontece: horas, dias, meses, anos ou até minutos. F . ESPAÇO GEOGRÁFICO:- o local onde os fatos ou as cenas acontecem:- o campo, a cidade, a casa, a vila, a estrada, a praia, a rua etc. OBS:- na narrativa sempre há um CLÍMAX (=parte alta, emotiva do texto, onde o leitor deverá entender e aplicar a complicação dos fatos narrados).   2. Exemplo de narrativa-descritiva na obra euclidiana. - Euclides descreve narrando a chegada de mais uma expedição a Monte Santo. (narrador observador) – Pág. 428. “Os novos lutadores chegavam a Monte Santo sem o mesmo anelo de arrancar das espadas. Desinfluídos. Reanimavam-se, porém, ao entrarem na base de operações. Despindo-se em poucos dias da aparência comum aos arraiais sertanejos, engrunhidos e estacionários, onde há cem anos não se constrói uma casa, a vila ampliara-se tendo às ilhargas, branqueando sobre as chapadas, num bairro novo e maior que ela – duas mil barracas, num alinhamento de avenidas longas, destacando-se distintas sobre o chão limpo e descalhoado, em seis agrupamentos, sobre que ruflavam bandeiras ondulantes, e de onde irrompiam, de instante a instante, vibrações metálicas de clarins e o toar cadente dos tambores. Uma multidão de habitantes adventícios, enchera-a, de súbito, acotovelando-se no âmbito da praça, derivando às encontroadas pelas vielas; e contemplando-os tinha-se um acervo heterogêneo em que se ombreavam todas as posições sociais. Oficiais de todas as graduações e armas; carreiros poentos das viagens longas, soldados arcando sob o equipamento; feridos e convalescentes trôpegos; mulheres maltrapilhas; fornecedores azafamados; grupos alegres de estudantes; e num inquirir incessante jornalistas sequiosos de notícias, davam-lhe um tom de praça concorrida em dia de parada. O marechal Bittencourt pô-la numa regulamentação rigorosa e demasiou-se no adotar medidas com as exigências complexas da situação. O hospital militar tornou-se uma realidade, perfeitamente abastecido e dirigido por cirurgiões a que aliavam esforços desinteressados alguns alunos da Faculdade da Bahia. Formou-se em tudo aquilo uma disciplina correta. Por fim a questão primordial que até lá o atraíra – o serviço de transportes, - se ultimou definitivamente. Diariamente quase, chegavam e volviam comboios parciais para Canudos...”   3. Euclides descreve narrando o episódio da degola. (narrador observador) – Pág. 462/463 “... Fizera-se uma concessão ao gênero humano: não se trucidavam mulheres e crianças. Fazia-se mister, porém, que se não revelassem perigosas. Foi o caso de uma mameluca quarentona, que apareceu certa vez, presa, na barraca do comando-em-chefe. O general estava doente. Interrogou-a no seu leito de campanha – rodeado de grande número de oficiais. O inquérito resumia-se às perguntas do costume – acerca do número de combatentes, estado em que se achavam, recursos que possuíam, e outras, de ordinário respondidas por um “não sei!” decisivo ou um “E eu sei?” vacilante e ambíguo. A mulher, porém, desenvolta, enérgica e irritadiça, espraiou-se em considerações imprudentes....- ficariam, todos, cegos e tateando à toa por aquelas colinas...”E tinha a gesticulação incorreta, desabrida. Irritou. Era uma virago perigosa. Não merecia o bem-querer dos triunfadores. Ao sair da barraca, um alferes e algumas praças seguraram-na. Aquela mulher, aquele demônio de anáguas, aquela bruxa agourentando a vitória próxima – foi degolada... Poupavam-se as tímidas, em geral consideradas trambolhos incômodos no acampamento, atravancando-o como bruacas imprestáveis.”   3º. DISSERTAÇÃO:- é um texto que se caracteriza pela defesa ou ataque a uma ideia, a um ponto de vista ou a um questionamento sobre um determinado assunto. O autor do texto dissertativo trabalha com argumentos, com fatos, com dados, os quais são utilizados para reforçar ou justificar o desenvolvimento das ideias apresentadas. - Consideramos a DISSERTAÇÃO como a discussão ou a explanação organizada de um problema, assunto ou tema. - No caso da obra euclidiana, são teses argumentativas, com pontos de vista, coleta de dados e montagens de teses apresentadas por estudiosos sobre os assuntos abordados na obra. Para obter-se uma exposição clara, objetiva, ordenada e organizada, uma dissertação pode ser dividida em três partes:- INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO OU ARGUMENTAÇÃO E CONCLUSÃO. Num texto dissertativo o autor opina, explica, mostra, aponta, tenta convencer o leitor sobre o tema que está expondo e até interpreta suas ideias, defendendo-as com argumentações que fazem do leitor um analista em potencial sobre o texto apresentado. O leitor torna-se um observador analista de um texto.    - No texto dissertativo não se criam personagens, nem diálogos; o que interessa é a realidade, é a discussão dos fatos ou da questão, é a opinião individual sobre um assunto, tema ou problema apresentado para ser defendido ou atacado através da escrita, sempre argumentando com prós e contras. - Dissertar é discutir escrevendo organizadamente sobre um tema proposto, para isso devemos refletir, analisar, coletar dados, apropriarmo-nos de ideias e informações a fim de podermos argumentar, traçar pontos de vista, discutir, justificar e chegar a uma conclusão adequada de acordo com a tese apresentada na introdução do texto criativo. PARTES DA DISSERTAÇÃO:- 1ª.) INTRODUÇÃO OU TESE:- o autor apresenta o assunto que vai discutir, dá a ideia inicial.(o autor deve persuadir o leitor a ler e interessar-se por seu texto dissertativo argumentativo). 2ª.) DESENVOLVIMENTO OU ARGUMENTAÇÃO:- é a parte em que o autor desenvolve um ponto de vista, sempre argumentando, citando exemplos, fornecendo dados; é o posicionamento do autor frente ao tema, os porquês, os prós e os contras. 3ª.) CONCLUSÃO:- é a parte em que o autor dá um fecho coerente com o desenvolvimento e com os argumentos apresentados. Em geral, retoma-se o tema ou assunto apresentado na introdução com mais ênfase, indicando a conclusão do mesmo. - TESE:- é a ideia, o foco que será defendido ou atacado pelo autor no decorrer de seu texto. A tese traduz uma opinião velada do autor sobre determinado assunto, por isso deve ser demonstrada e comprovada através dos argumentos e da conclusão. - PONTO DE VISTA:- é a chave (o ângulo) a partir do qual o autor observa, sente e analisa um assunto ou um problema discutido em sua dissertação. - ARGUMENTOS:- é a forma do autor defender ou atacar o tema com posicionamentos contundentes (marcantes). Através da argumentação o autor pode demonstrar sua preocupação, seu descontentamento ou até mesmo expor suas dúvidas e anseios sobre o tema proposto. OBS:- O texto dissertativo requer uma linguagem séria, exata, sem rodeios, porque o leitor tem que ser convencido pela força dos argumentos apresentados pelo autor, por isso deve ser impessoal. Cada parágrafo que compõe um ou mais períodos de uma dissertação deve ser claro, preciso, ligado aos outros com COESÃO através de conjunções (= conectivos) que formarão a cadeia fluente do discurso. - Dissertação é a discussão organizada de um problema. Ninguém tem condições de discutir, nem muito menos de discutir organizadamente, sem antes ter obtido informações, sem antes ter analisado, sem antes ter formado uma opinião sobre o assunto; devemos ler muito sobre temas variados para podermos criar uma dissertação perfeita, por isso, este interesse pela obra euclidiana nesta Semana Euclidiana que tem ocorrido durante várias décadas!  Exemplos de trechos dissertativos na obra euclidiana: 1. - Argumentando sobre a TERRA, Euclides faz a seguinte dissertação analisando as condições geofísicas do sertão brasileiro. - Pág. 26 e 27.  “É uma paragem impressionadora. As condições estruturais da terra lá se vincularam à violência máxima dos agentes exteriores para o desenho de relevos estupendos. O regime torrencial dos climas excessivos, sobrevindo, de súbito, depois das insolações demoradas, e embatendo naqueles pendores, expôs há muito, arrebatando-lhes para longe todos os elementos degradados, as séries mais antigas daqueles últimos rebentos das montanhas: todas as variedades cristalinas, e os quartzitos ásperos, e as filades e calcários, revezando-se ou entrelaçando-se, repontando duramente a cada passo, mal cobertos por uma flora tolhiça – dispondo-se em cenários em que ressalta, predominantemente, o aspecto atormentado das paisagens. Porque o que estas denunciam – no enterroado do chão, no desmantelo doscerros quase desnudos, no contorcido dos leitos secos dos ribeirões efêmeros, no constrito das gargantas e no quase convulsivo de uma flora decídua embaralhadaem esgalhos – é de algum modo o martírio da terra, brutalmente golpeada pelos elementos variáveis, distribuídos por todas as modalidades climáticas. De um lado a extrema secura dos ares, no estio, facilitando pela irradiação noturna a perda instantânea do calor absorvido pelas rochas expostas às soalheiras, impõe-lhes a alternativa de alturas e quedas termométricas repentinas, e daí um jogar de dilatações e contrações que as disjunge, abrindo-as segundo os planos de menor resistência. De outro, as chuvas que fecham, de improviso, os ciclos adurentes das secas, precipitam estas reações demoradas.”   2. Analisando, destacando seu ponto de vista e apresentando argumentos sobre o homem brasileiro do sertão e a mistura de raças, Euclides disserta. Pág. 100 / 101 e 103 “Abramos um parêntese... A mistura de raças mui diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior, despontam vivíssimos estigmas de inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O indo-europeu, o negro e o brasílio-guarani ou o tapuia, exprimem estádios evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades preeminentes do primeiro, é um estimulante à revivescência dos atributos primitivos dos últimos. De sorte que o mestiço – traço de união entre as raças, breve existência individual em que se comprimem esforços seculares – é, quase sempre, um desequilibrado. Foville compara-os, de um modo geral, aos histéricos. Mas o desequilíbrio nervoso, em tal caso, é incurável: não há terapêutica para este embater de tendências antagonistas, de raças repentinamente aproximadas, fundidas num organismo isolado. E o mestiço – mulato, mameluco ou cafuz – menos que um intermediário, é um decaído, sem a energia física dos ascendentes selvagens, sem a altitude intelectual dos ancestrais superiores. Contrastando com a fecundidade que acaso possua, ele revela casos de hibridez moral extraordinários: espíritos fulgurantes, às vezes, mais frágeis, irrequietos, inconstantes, deslumbrando um momento e extinguindo-se prestes, feridos pela fatalidade das leis biológicas, chumbados ao plano inferior da raça menos favorecida. Impotente para formar qualquer solidariedade entre as gerações opostas, de que resulta, reflete-lhes os vários aspectos predominantes num jogo permanente de antíteses. E quando avulta – não são raros os casos – capaz de grandes generalizações ou de associar as mais complexas relações abstratas, todo esse vigor mental repousa (salvante os casos excepcionais cujo destaque justifica o conceito) sobre uma moralidade rudimentar, em que se pressente o automatismo impulsivo das raças inferiores. Aparece logicamente. Ao invés da inversão extravagante que se observa nas cidades do litoral, onde funções altamente complexas se impõem a órgãos mal constituídos, comprimindo-os e atrofiando-os antes do pleno desenvolvimento – nos sertões a integridade orgânica do mestiço desponta inteiriça e robusta, imune de estranhas mesclas, capaz de evolver, diferenciando-se, acomodando-se a novos emais altos destinos, porque é a sólida base física do desenvolvimento moral ulterior.   - QUEM NÃO LÊ, MAL OUVE, MAL FALA E MAL ESCREVE!!! - APRENDA A ESCREVER, APRENDENDO A PENSAR!   CONCLUSÕES:- 1. - Como toda grande obra de arte, especialmente escrita, a obra literária “OS SERTÕES” também possui múltiplas formas de leituras em aspectos diversos, quer seja descritivo, narrativo ou dissertativo, pois a obra possui um pouco de cada característica destes tipos redacionais. É uma obra que continua a estimular discussões e requisita contínuas revisões. É um texto polêmico, desafiador e sobretudo inventivo no que diz respeito ao percurso da linguagem, torna-se ponto de referência obrigatória para se conhecer nosso desenvolvimento social, político e econômico, pois até hoje encontramos temas como o ÊXODO RURAL, OS BÓIAS-FRIAS, OS SEM-TERRA, A EXCLUSÃO SOCIAL, O FANATISMO RELIGIOSO, A REFORMA AGRÁRIA, OS LATIFÚNDIOS IMPRODUTIVOS, e tantos outros assuntos, por isso o livro de Euclides da Cunha continua tendo plena atualidade entre nós em pleno século XXI. 2. – O texto euclidiano é LITERATURA ENGAJADA pelo que tem de mensagem humana e denúncia social. 3. – O texto euclidiano apresenta a realidade objetiva (fixa o real, o verossímil, o denotativo) – assemelha-se a uma página jornalística. 4. - O texto euclidiano tem concepção subjetiva porque exercita a imaginação, é de linguagem conotativa, pessoal; trabalha com sugestões de imagens. 5. - O texto euclidiano é um ENSAIO GEOGRÁFICO na apresentação da TERRA, é um ENSAIO ANTROPOLÓGICO na apresentação do HOMEM, é um ENSAIO HISTÓRICO/POLÍTICO na apresentação da LUTA. 6. - O texto euclidiano é ATUAL porque apresenta para o leitor:- - ISOLAMENTO SOCIAL; - A DEMORA CULTURAL; - A EXCLUSÃO SOCIAL; - A SUBNUTRIÇÃO; - A PRECARIEDADE DAS MORADIAS; - A FALTA DE INSTRUÇÃO: O ANALFABETISMO; - A AUSÊNCIA DE HIGIENE: DOENÇAS (maleita, verminose, mortalidade infantil); - A VELHICE PRECOCE; - O TRABALHO SEM GANHO (escravo); - O DESNIVELAMENTO SÓCIO-CULTURAL ENTRE O LITORAL E O SERTÃO; - OS DOIS BRASIS:- UM RICO E PRÓSPERO (litoral) e O OUTRO POBRE E ESQUECIDO (sertão); - O FANATISMO RELIGIOSO; - O CICLO DAS SECAS; - O MASSACRE DOS DESFAVORECIDOS. 7. O texto euclidiano é PERMANENTE, pois sua linguagem é clássica, predomina a EMOTIVIDADE, é um quadro pintado com palavras de significados marcantes; PERMANENTE por sua beleza estética, com sua LINGUAGEM ESPECIAL que só Euclides da Cunha soube dar à obra, tornando-a viva, mesmo depois de 100 anos de publicada e após 100 anos da morte do autor. 8. OS SERTÕES é uma obra ATUAL pela contemporaneidade dos fatos relatados e pelas situações apontadas pelo autor, as quais persistem ainda hoje, justamente neste início do século XXI. 9. OS SERTÕES é considerado um livro VINGADOR, um livro de DENÚNCIAS que são ainda vivenciadas pelos meios de comunicação da atualidade. 10. “OS SERTÕES” – gênero narrativo com aspectos descritivos, ação romanesca e estrutura convencional. 1º.) ESPAÇO :- descrição detalhada do espaço geográfico = A TERRA. 2º.) TEMPO/LUGAR:- da monarquia / sertão brasileiro. 3º.) COMPLICAÇÃO:- a religiosidade como fuga e a busca da sobrevivência. 4º.) PERSONAGENS:- o homem que vive neste espaço e seus habitantes: O SERTÃO / SERTANEJO / JAGUNÇO. 5º.) NARRATIVA EM 3ª. PESSOA:- Campanha de Canudos – o autor documenta o que vê para o Jornal “O Estado de São Paulo”. 6º.) CLÍMAX:- A Guerra de Canudos. 7º.) DESFECHO:- O extermínio de Canudos (a vergonha nacional). - Narração com aspecto ideológico, isto é, prevalece o modo de ver e sentir o fato pelo autor. A realidade observada na ótica do autor (Euclides da Cunha). - Os fatos históricos, os dados e as observações se prendem às ideias de seu autor que os interpreta na ARTE DA PALAVRA ESCRITA, proporcionando leitura prazer para o leitor, analista e estudioso da obra.   Referências:- CUNHA, E. Os Sertões (Campanha de Canudos). Edição Crítica de Walnice Nogueira Galvão, Bom Livro. São Paulo: Ática, 1998. __________ Os Sertões. Coleção Prestígio. Ediouro, 19ª. Edição, M.Cavalcanti Proença, 1996. GARCIA, Othon M., Fundação Getúlio Vargas – 8ª. Edição, 1980. CITELLI, Adilson. Roteiro de leitura: Os Sertões. São Paulo: Ática, 1996. GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. São Paulo: Edit.Scipione, 3ª. Edição, 1996. Nodólskis, Hêndricas, Comunicação Redacional Atualizada, IBEP, 1999. O Estado de S.Paulo, Manual de redação. Org. e Edit. Eduardo Martins. São Paulo: O Estado de S.Paulo, 1990.            

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