São José do Rio Pardo - domingo, 28 de maio de 2017
"Esse país ainda não teve um interprete, eu posso ser o interprete que esse país ainda não teve."
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Postado em: 29/02/2016

Canudos - Cyl Gallindo


 CANUDOS                                                                                                        Cyl Gallindo                                                                                     JORNALISTA E ESCRITOR.              A Literatura Brasileira contém milhares de registros da violência que acompanha a vida social do País, desde o seu descobrimento. As crônicas de época,fragmentadas em diversos livros, dariam compêndios. O que se praticou contra os índios, os negros, a mulher, a criança é estarrecedor.              No entanto, seria imperdoável não mencionar as obras poéticas de Gonçalves Dias, enfocando o índio, e de Castro Alves, sobre o negro. Dos tempos atuais,temos a coletânea História das Crianças no Brasil, de Mary Del Priori, a reunir trabalhos desde o tráfico-marítimo, quando muitas crianças eram sequestradas nas cidades européias e trazidas para executarem tarefas nos navios e servirem aos instintos bestiais da tribulação, até os dias de hoje revelando a vida de adolescentes nos canaviais de Pernambuco. O povo judeu foi aquinhoado com a obra: Imigrantes Judeus - Escritores Brasileiros, de Regina Igel, paulistana,catedrática da Universidade de Maryland / USA. Trata-se de substancioso trabalho, no qual a autora com refinado talento e elegância estilística levanta o componente judaico na Literatura Brasileira, do Século XVI ao SéculoXXI. Está implícito o sofrimento desse povo, desde a perda forçada da identidade, aos processos do Santo Ofício. Tudo isso, porém, representa um grão de areia nas dunas destes 500 anos de Brasil. Seriam necessárias minuciosas escavações, na busca da verdade sofrida pelos já mencionados povos e mais os sem-terra, os sem-teto e por todas as minorias desvalidas da sorte.              Dada a impossibilidade de abarcar o leque da violência fragmentada em centenas de obras, volto-me para a Guerra de Canudos, motivadora de um dos importantes livros da Literatura Brasileira: Os Sertões, de Euclides da Cunha, onde morreram 25 mil pessoas.        Ao apresentar o livro Canudos e Outros Temas, de Euclides da Cunha, publicado pelo Senado Federal, já em 4ª. edição, adverti: Canudos não é mais um arraial fincado no Sertão, agora há ramificações por todo o País. Os morros do Rio de Janeiro e as favelas das grandes cidades, talvez sejam mais Canudos do que a própria Canudos, no interior baiano, cuja tragédia Euclides classificou de "um crime!". ..............Há92 anos, a cidade de São José do Rio Pardo/SP, onde estou em companhia da professora Milza Barreto e encontrei o eminente pernambucano João Alexandre Barbosa, reúne estudiosos de várias partes do mundo na Semana Euclidiana, para estudar, analisar e debater Os Sertões e a violência sofrida por Canudos. Faz dez anos que aqui grito: Canudos está na porta da nossa casa. O que aconteceu em Carajás, em Carandiru, o que tem acontecido nas cidades brasileiras são réplicas de Canudos. O crime está banalizado. Não podemos tapar o sol com uma peneira.Os governos vêm prometendo realizar a reforma agrária dentro da lei, a reforma urbana dentro da lei, o desemprego dentro da lei, eliminar a fome dentro da lei,,mas onde está essa lei? Canudos volta a 100 anos como exemplo da injustiça social.     Cyl Gallindo    

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