São José do Rio Pardo - sexta, 24 de novembro de 2017
"O sertanejo é antes de tudo um forte, não tem o raquitismo exaus­tivo dos mestiços do litoral."
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Postado em: 29/02/2016

O italiano morto na montagem da ponte- Rodolpho José Del Guerra


O italiano morto na montagem da ponte Um túmulo no cemitério rio-pardense, com inscrições em italiano e símbolo maçônico, numa grande pedra de mármore, bem atrás da Capela, à esquerda de quem desce, intrigava-me pela curiosidade, lendo a inscrição, em italiano:  “A Fábio D’Andrea, integro uomo, indefesso lavoratore – La R. Giuseppe Petroni / Dependente del G. Oriente de Roma / All’Or. Di S. Paulo / Ad eterna memória del Car. Fr. / Nato il 1868. Morto il 3 decembre 1896.” Interessei-me pela história do jovem Fábio, maçom, morto com 28 anos. No Cartório de Registro Civil, no grande livro de óbitos de 1896, encontrei o registro de sua morte, em 6 de dezembro. Difícil traduzir aqueles garranchos manuscritos. Como sempre, os irmãos Rosa e João Marim socorreram-me. O desditoso moço morava em São Paulo e veio a São José, com uma equipe de trabalhadores de uma empresa, para a construção da ponte metálica alemã, sobre o Rio Pardo, sob a orientação do engenheiro responsável e ganhador da concorrência, Dr. Arthur Pio Deschamps de Montmorency. O jovem italiano, pedreiro, deveria estar em São José havia seis meses, no máximo, pois o trabalho de montagem teve início em 22 de maio de 1896. Em 3 de dezembro, no final de mais um dia de trabalho, às 17 horas, ao passar de uma tábua para outra sobre o rio, o “indefesso lavoratore” resvalou e submergiu, morrendo afogado. E aqui ficou, no solo estranho, mas aconchegante, mais um trabalhador italiano, emigrado da terra em crise, amada e superpovoada, que procurava encontrar a fortuna na América, longe da família e, talvez, do seu amor...  Lembrei-me de uma canção que minha avó cantava para nós, cuja tradução deveria ser: “A Itália é pequenina e tem gente em quantidade e esta é a ruína: ali não se pode mais viver”... Ela esperou sete anos a volta do meu avô para casar-se... Quem foi Fábio, que saiu de sua cidadezinha para se misturar ao pó da desconhecida e distante São José do Rio Pardo? E seus pais? E sua noiva?... Nada se sabe. Suas cinzas e seu nome foram protegidos pelos seus irmãos maçons rio-pardenses... No livro de óbito, número 6, página 7, está registrado: “Aos seis dias do mês de dezembro de 1896, nesta cidade de São José do Rio Pardo, Estado de São Paulo, em meu cartório, compareceu Antônio Fernandes Villa Verde, solteiro, espanhol, empreiteiro, residente em São Paulo, e perante testemunhas abaixo assinantes, declarou que, na ponte que está fazendo sobre o Rio Pardo desta cidade, no dia 3 do corrente, às cinco horas da tarde, submergiu e faleceu afogado no dito rio Fábio Sant’Andrea, com 28 anos de idade, natural da cidade de Benezo (ilegível), Itália, pedreiro, residente em São Paulo, filho legítimo de Luiz Santandrea, residente na Itália, do que para constar abri este termo (...)” Assinaram o atestado: Antônio Fernandes Villa Verde, Agostinho Rossi e Castigliani Enrico. No campo do RPFC, alguns conhecidos reforçando um time rural. Agachados: o 2º é Dirceu Martini e o 3º é Sebastião de Andrade (Tiãozada). Em pé, o 1º é Fued, o 2º Tique e último é João Fagiolli. No escadão da Estação, exames finais do TG, em 1945. Na última fila, no alto, com quépis: no centro, mais alto, Capitão Pernambuco (examinador), seguido pelo Ten. Roque Consolo e pelo Sarg. Critóvam do Couto Xavier. Em pé, na lateral esquerda, de baixo para cima: Cassoni (Santa Justa); n.i.; Umberto Viadana; n.i.; e Américo Gonçalves (Mequéca, sentado). Em pé, à direita: Américo Astolfo; n.i.; João Ferreira (Gordo) e, sentado, Juvenal Antônio. No bloco central sentados: o primeiro, à direita é Geraldo Giacon, com meia preta. 1ª fila, da esquerda para a direita: 1 -Décio Ferreira Dias (de óculos); 2 -Francisco Trevisan; 3 -James...; 4 -Níveo Spessotto (braço no bumbo); 5 -Gil (Poia) e 6 –Geraldo Giacon e José (Tuta). 2ª fila: 7 -Alcides Alabarci; 8 - João Calsoni (de bigode); 9 – Luiz de Freitas; 10 –Antônio Madaleno; 12 –José Rodrigues (instrutor da fanfarra); 13 –João Marques (Ziquinho, identificador, mãos no joelho); 14 – Luiz Bagodi; 15 –Aurélio Pinesi; 16 – Décio Ribeiro; 17 –Nico Costa; 18 –Célio Chiconelo; 19 –Costinha; 20 –Antônio Montanheiro; 21 –José Tambor; 22 – Roque Giovanelli; 23 –Manoel Neves; 24 – n.i.; 25 – Chico Samuel; 26 –Dutra; 27 –n.i.; 30 –Joaquim Moni, 31 –Miguel Casagrande; 32 –Pedro Folharini; 33 –Alcides Ocanha; 34 –n.i.; 35 –Guilherme Bianchin; 36 –João Sernaglia; 37 –Francisco Cueti; 39 –n.i.; 40 –Martini (Marreco); 41 –Mário Nicolau; 42 –Mário Moreira; 43 –Moacir Sernaglia; 44 –n.i.; 45 –n.i.; 46 –n.i.; 48 –Umberto Viadana; 49 –n.i.; 50 –Ventura Quessada; 51 –Dirceu Fornari; 52 –Dirceu Possebon; 53 –Nico Garcia; 54 –n.i.; 55 –João Garcia; 56 –Aparecido Meirelles; 57 –n.i.; 60 –Sardinha; 61 a 67 n.i.; 68 –Luiz Brasilino; 69 –Francisco Lopes; 70 –n.i.; 71 -Ferreira; 72 –n.i.; 73 –João Ferreira (Gordo); 74 –n.i.; 75 –Orlando Feltran; 76 –José Marquite; 77 –n.i.; 78 –Marcos Ferreiro; 79 -Sernaglia; 80 –n.i.;  85 –Juvenal Antônio   Rodolpho José Del Guerra    

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