São José do Rio Pardo - domingo, 28 de maio de 2017
"Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos"
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Postado em: 02/03/2016

De Euclides da Cunha a Warren Dean - Marcos De Martini


DE EUCLIDES DA CUNHA A WARREN DEAN.   Marcos De Martini Professor Mestre em História FEUC - Faculdade Euclides da Cunha mtcmartini@uol.com.br     RESUMO: Este texto procura trabalhar – a partir da visão que Euclides da Cunha elaborou sobre questões ambientais, expressas em artigos jornalísticos e reunidas em seu livro Contrastes e Confrontos – uma mediação com outros escritores do século XX, como Monteiro Lobato, Caio Prado Júnior e Warren Dean.   Palavras-chave: Euclides da Cunha; Mata Atlântica; Café; Ferrovias   Ler Euclides da Cunha, não é novidade para ninguém, possibilita uma série de interpretações sob os mais diversos assuntos tratados pelo escritor em suas obras. Existe um Euclides da Cunha historiador, geógrafo, sociólogo, ecologista e tantos outros mais. De todos esses Euclides, talvez aquele que por último tenha sido interpretado por seus estudiosos mais afeiçoados seja aquele Euclides que apresenta uma visão ecológica muito consciente e avançada para a época em que viveu. Não que essa visão fosse de importância menor em relação às demais. Mas, simplesmente, pelo fato que o mundo moderno começou a pensar ecologicamente, através de ações de grupos defensores do meio ambiente e práticas governamentais, nas últimas décadas do século XX. Antes disso, como no século XIX vivido por Euclides, preponderava a visão de um mundo abundante e inesgotável em seus recursos naturais. Ir contra esse paradigma, dizia a voz preponderante, era para alguns poucos pensadores “desocupados” com questões mais relevantes. Felizmente, a despeito da falta de uma política internacional coordenada, essa conscientização ambiental vem tomando forma na medida em que as pessoas, grupos de ambientalistas e alguns governos, preocupados cada vez mais com o mal que se avoluma e se aproxima, despertaram para a necessidade de se preservar o mundo em que vivemos sob o risco irreversível de torná-lo inabitável.  Isso tudo, infelizmente, ainda soa como catastrofismo para muitos que pensam a curto prazo. A despeito dessa irresponsabilidade, os exemplos de reações da natureza diante da secular ação predatória da espécie humana não deixam dúvidas do caminho que estamos trilhando. Agora, voltemos ao finalzinho do século XIX, época em que Euclides da Cunha em suas andanças pelo Brasil, em especial pelo Rio de Janeiro e São Paulo, pôde constatar uma situação de degradação ambiental que se fazia sob a região da Mata Atlântica em nome dos interesses econômicos que norteavam a país, principalmente através do café, nosso ouro verde. Certamente, em suas viagens para o interior de São Paulo, concomitantes ao período em que residiu em São José do Rio Pardo, durante a reconstrução da ponte metálica, Euclides da Cunha teve a oportunidade de comprovar os resultados ambientais desastrosos que a lavoura do café imprimia, de maneira avassaladora, a esse trecho tão especial de nossa flora, hoje reconhecido internacionalmente pela sua biodiversidade. Essa constatação, transformada em uma análise histórico-geográfica, com fundamentos ambientalistas, foi expressa nos artigos “Fazedores de Desertos” (O Estado de São Paulo de 21 de outubro de 1900) e “Entre as Ruínas”, posteriormente reunidos no livro “Contrastes e Confrontos”, publicado em 1907. No artigo “Fazedores de Desertos”, Euclides nos conduz por esse mundo de uma beleza natural até hoje decantada, mas que, a seu tempo, sofria devido a uma ambição desmedida, associada à falta de conhecimento técnico mais apurado que pudesse minimizar os efeitos da exploração da terra.  Assim Euclides descreve esse mundo do interior paulista: “Daí o quadro lastimável descortinado pelos que se aventuram, nestes dias, a uma viagem no interior - varando a monotonia dos campos mal debruados de estreitas faixas de matas, ou pelos carreadores longos dos cafezais requeimados... quase sem folhas ou em varas, dando em certos trechos, às paisagens, um tom pardacento e uniforme, de estepe”. (CUNHA, 1975,p.127)   Diante desse quadro, Euclides deixa transparecer claramente sua visão ecológica, descrita de uma maneira que bem comprova seu conhecimento e preocupação. Ele não apenas a descreve. Não poderia fazê-lo sem aprofundar em detalhes que eram desconhecidos para a grande maioria dos moradores daquelas paragens. Recolhendo alguns trechos em Fazedores de Desertos, temos essa descrição contundente: “Porque há longos anos, com persistência que nos faltou para outros empreendimentos, nós mesmos a criamos. Temos sido um agente biológico nefasto, e um elemento de antagonismo terrivelmente bárbaro da própria natureza que nos rodeia. É o que nos revela a História. Foi a princípio um mau ensinamento do aborígene. Na agricultura do selvagem era instrumento preeminente o fogo.  ...Renovavam o mesmo processo na estação seguinte, até que, exaurida, aquela mancha de terra fosse abandonada em caapuera, jazendo dali por diante para todo o sempre estéril;  ...O selvagem prosseguia abrindo novas roças, nova derribadas, novas queimas e novos círculos de estragos... Veio depois, o colonizador e copiou o processo. ...Ora, tais selvatiquezas atravessaram toda a nossa história.”  (CUNHA, 1967, p.127)   Além da força destruidora da lavoura cafeeira, ao processo de devastação somava-se a ação das estradas de ferro, abertas para atender as necessidades da expansão da economia pelo interior paulista. A partir de uma determinada distância, tornava-se praticamente anti-econômico o plantio do café, já que não haveria como realizar seu escoamento para os pontos de embarque para o exterior, a fonte de consumo do produto nacional. Nas áreas mais próximas do litoral, o transporte ficava sobre as costas das mulas, que, em longas e penosas caminhadas, escoavam a produção. Mas, com o avanço desmedido para o interior, em busca de novas terras, afastando-se cada vez mais das antigas rotas traçadas pelas tropas, as estradas de ferro se fizeram mais do que necessárias. Em terras paulistas, o primeiro avanço da modernidade ocorreu com a ligação Santos-Jundiaí. A partir do ponto final dessa malha, uma série de outras redes foi sendo construída para atender, em primeiro lugar, a necessidade do transporte do café para o porto de Santos e o afluxo de novos moradores arrebatados pela ânsia da riqueza repentina prometida pela lavoura.      A partir de Campinas, novas linhas patrocinadas por senhores do café abriam amplas perspectivas para a expansão da lavoura cafeeira. Sob o olhar de Euclides da Cunha, foram essas as palavras:  “É o que observa quem segue, hoje, pelas estradas do Oeste paulista. Depara, de momento em momento, perlongando as linhas férreas, com desmedidas rumas de madeira em achas ou em toros, aglomeradas em volumes consideráveis de centenares de esteres, e progredindo, intervaladas, desde Jundiaí ao extremo de todos os ramais. São o combustível único das locomotivas. Iludimos a crise financeira e o preço alto do carvão-de-pedra atacando em cheio a economia da terra, e diluindo cada dia no fumo das caldeiras alguns hectares da nossa flora”. (CUNHA, 1967, p.128,129)   Agora, além das derrubadas e queimadas exigidas pela onda verde, a natureza passava a ter mais um predador. As ferrovias passavam a ser as grandes devoradores das florestas do interior paulista. Já no artigo “Entre as Ruínas”, Euclides descreveu, com a perspicácia característica, o processo de degradação vivido na região do Vale do Paraíba, rota de entrada do café pelas terras paulistas, a partir do desmatamento, degradação das terras e seu abandono. Uma vez esgotada a fertilidade superficial das terras, os cafeicultores repetiam a técnica secular, praticada desde os tempos coloniais, em busca de áreas férteis para o plantio de novas lavouras de café. O resultado dessa exploração, hoje mais conhecido, foi uma região sugada ao seu extremo por uma prática imediatista, que trabalhava com a perspectiva da abundância das terras e de seus recursos. O resultado dessa ação, assim foi descrito por Euclides da Cunha: “Ressaltam a cada passo expressivos traços de grandezas decaídas. Os morros escavados, por onde trepa teimosamente uma flora tolhiça, de cafezais de 80 anos, ralos e ressequidos, mal revelando os alinhamentos primitivos; cintados ainda pela faixa pardo-avermelhada dos carreadores tortuosos, por onde subiam, outrora, as turmas dos escravos... Sem mais a vestidura protetora das matas, destruídas na faina brutal das derribadas, desagregam-se, escoriados dos enxurros, solapados pelas torrentes... depois das chuvas torrenciais, e expõem agora, nos barrancos a prumo,...a rígida ossamenta de pedra desvendada, ou alevantam-se despidas e estéreis ...”. (CUNHA, 1967, p.131,132)   Euclides irá intensificar sua visão ambientalista a partir de sua visita às terras amazônicas, conhecendo e denunciando um crime social em meio à exploração desumana e desarticulada dos recursos da selva. Infelizmente, a sua morte repentina, abortou aquilo que seria a produção mais relevante sobre a temática ambiental. O Euclides dos sertões também olhava para a floresta tropical. Enfim, a ânsia dos interesses econômicos, sobrepondo-se ao meio ambiente, não foi reduzida no decorrer do século XX. E foi esse ambiente de devastação, uma vez denunciado por Euclides da Cunha, que fez com que outro escritor de profundo sentimento nacionalista, Monteiro Lobato, denunciasse alguns dos problemas vividos pelo país. Em 1920 lança o livro “A Onda Verde e o Presidente Negro”.  No capítulo “A onda verde”, expressão diretamente ligada a Monteiro Lobato, o autor repete a análise sobre os efeitos danosos da expansão da lavoura cafeeira sobre as terras paulistas, outrora denunciados por Euclides da Cunha. Assim registra Lobato: “A quem viaja pelos sertões do chamado Oeste de São Paulo empolga o espetáculo maravilhoso da preamar do café. Aquela onda verde nasceu humilde em terras fluminenses. Tomou vulto, desbordou para São Paulo e, fraldeando a Mantiqueira, veio morrer, detida pela frialdade do clima, à beira da Paulicéia. ...A região era todo um mataréu virgem de majestosa beleza. ...Sua ambição feroz preferia à beleza da desordem natural a beleza alinhada da árvore que dá ouro... derrubou, roçou e queimou a maravilhosa vestimenta verde do oásis. Desfez em decênios a obra prima que a natureza vinha compondo desde a infância da terra.” (LOBATO, 2008, p. 19,20)   Essa visão de militância é dividida, em certos momentos, com uma visão de real valorização da lavoura cafeeira e sua importância para São Paulo. Assim relata Monteiro Lobato, associando as estradas de ferro e a onda verde:  “É de enfunar o peito a impressão de quem pela primeira vez navega sobre o oceano verde-escuro. Horas a fio, num Pullman da Paulista ou num carro da Mogiana, a cortar um cafezal só - milhões e milhões de pés que ondulam por morro e vale até se perderem no horizonte confundidos com o céu... Para quem necessita revitalizar as energias murchas e esmaltar-se de indestrutível fé no futuro destas regiões do sul, nada melhor do que um raid pelo mar interno da Rubiácea. Mas a árvore do ouro só produz à custa do sangue da terra. É exuberante na produção da baga vermelha, mas insaciável de húmus.” (LOBATO, 1975, p.20)   Mas não tarda muito para voltar à carga contra essa prática que leva a exaustão das terras paulistas pela prática irracional da lavoura cafeeira, Lobato decreta: “Mas a árvore do ouro só produz à custa do sangue da terra. É exuberante na produção da baga vermelha, mas insaciável de húmus.Polvo com milhões de tentáculos, o Café rola sobre a mata e a soverte.” Passam-se as décadas. O café encontra seu freio não na reação de uma natureza revolta diante de séculos de exploração desmedida. A própria ambição descontrolada provoca a crise de 1929 e seus reflexos funestos por terras brasileiras, em especial, pelo interior de São Paulo. Outros escritores debruçaram-se sobre essa história que está diretamente ligada à própria história do Brasil. Foram-se os escravos, chegaram os imigrantes, junto com a esperança da posse da terra, as grandes propriedades, os barões do café, a ação dos grileiros, a fragmentação decorrente das crises econômicas e tantos outros elementos atrelados à lavoura cafeeira. Assim, sob o olhar da análise econômica, Caio Prado Júnior constituiu-se em um dos nomes de maior peso para o entendimento do Brasil. Em sua obra referencial, História Econômica do Brasil, Caio Prado norteia toda nossa história a partir da implantação do sistema colonial português. Ao trabalhar o capítulo “Evolução Econômica”, o autor elabora uma análise sobre os prejuízos causados pela lavoura cafeeira na região do Vale do Paraíba. Apesar de quase meio século entre os artigos de Euclides da Cunha e a obra de Caio Prado, os fundamentos ambientais se aproximam muito. Vejamos o escreve Caio Prado: “A causa é sempre semelhante: o acelerado esgotamento das reservas naturais por um sistema de exploração descuidado e extensivo. Isto será particularmente sensível no caso que temos agora presente. Esses terrenos de fortes declives onde se plantaram os cafezais não suportarão por muito tempo o efeito do desnudamento de florestas derrubadas e da exposição do solo desprotegido à ação das intempéries. O trabalho da erosão foi rápido. Agira-se sem o menor cuidado e resguardo; a mata foi arrasada sem discernimento, mesmo nos altos; plantou-se o café sem a atenção a outra ideia que um rendimento imediato. O desleixo se observa na própria distribuição das plantas... perpendiculares à encosta; não havia disposição mais favorável à ação da erosão. O resultado de tudo isto foi desastroso: bastaram uns poucos decênios para se revelarem rendimentos aceleradamente decrescentes, enfraquecimento das plantas, aparecimento de pragas destruidoras. Inicia-se então a decadência com todo seu cortejo sinistro: empobrecimento, abandono sucessivo das culturas, rarefação demográfica.” (PRADO, 1990, p.175)   Mais recentemente, o reconhecido brasilianista Warren Dean, publicou, em 1996, “A ferro e fogo. A história e a Devastação da Mata Atlântica Brasileira”. O professor de história na Universidade de Nova York, falecido em 1994, perpassa pela ocupação desse espaço desde os tempos mais remotos de nossos ancestrais ameríndios, que ele chama de “invasores humanos”.   No capítulo “O café desaloja a floresta”, Warren Dean avalia o peso que a lavoura canavieira teve nas terras paulistas até a introdução econômica do café. Estabelece a relação entre a riqueza natural da Mata Atlântica e sua justa adequação aos interesses do café. Seu esplendor seria a causa natural de sua morte. “O café é mesial, isto é, exige solos que não sejam nem encharcados nem secos. ...A Mata Atlântica estabilizara-se nessas áreas, ao longo de milhares de anos de incipiente intervenção humana, um solo raso mas moderadamente fértil e um tanto ácido. Este material e a biomassa da própria floresta podiam, por um certo tempo, suprir os nutrientes essenciais. Era precisamente este o perigo para a Mata Atlântica: acreditava-se que o café tinha de ser plantado em solo coberto de floresta “virgem”. (DEAN, 2004, p.195)   A demonstração de uma natureza fértil, com árvores de porte exuberante era o aval para a derrubada e queima, abrindo espaço para o café. “As posturas municipais normalmente exigiam que os troncos derrubados em estradas ou cursos d’água fossem removidos. O restante era deixado a secar... ,todo o amontoado de floresta derrubada era incendiado. ....Durante muitas horas as cinzas caíam como chuva. O fogo ardia durante dias e depois fumegava por muitos outros... Chegavam , por fim, as chuvas, que adicionavam ao esterco gorduroso do húmus e do solo os nutrientes liberados do rico leito das cinzas.” (DEAN, 2004,p.198)   Na análise de Warren Dean, a devastação da floresta, acrescida de um trabalho sem técnica, produzia um resultado ainda pior.  “Assim, os pés de café eram alinhados da forma mais desastrosa imaginável. ...Descendo as fileiras, as chuvas cavavam sulcos, formando gargantas entre elas, carregando o húmus e a camada superficial do solo com rapidez e eficiência. Nunca houve a prática de girar os troncos para formar barreiras contra a erosão. ...Só depois que as chuvas começavam a expor as raízes é que se faziam pequenos esforços para fazer taludes para impedir o deslizamento.” (DEAN, 2004, p.200)   No capítulo seguinte, Instrumentos da Devastação, Warren Dean acrescenta outros elementos cúmplices na devastação da Mata Atlântica, em especial nas terras paulistas ligadas ao café. Primeiramente ele enfoca o rápido crescimento populacional observado e a decorrente urbanização da região que passou de um milhão de pessoas em 1808, para 6,4 milhões em 1890. Essa explosão certamente causou uma alteração forte sobre a região atlântica. Decorrente desse crescimento populacional houve a necessidade da expansão da produção de gêneros alimentícios, o que sabemos não inclui o café. A criação de animais, notadamente bovinos, forçava o preparo de vasta área para pastagem, além de muita madeira utilizada na delimitação das propriedades, como mourões, currais e estábulos. Nas cidades, cada vez maiores, havia a necessidade de grande consumo de carvão e lenha. Comerciantes avançavam sobre novas áreas de florestas, aquelas que ainda não haviam sucumbido à faina dos cafeicultores, para suprir as necessidades urbanas crescentes. Dean estima que no final do século XIX, o Rio de Janeiro consumia 270 mil toneladas de lenha por ano. “A cidade era também grande consumidora de lenha e carvão. Vendedores de lenha e fabricantes de carvão normalmente compravam os lotes que limpavam, embora às vezes trabalhassem por contrato. Havia também um ativo comércio atacadista de madeira.” (DEAN, 2004, p.211) Cidades crescendo, as propriedades rurais necessitando de ferramentas de maior tecnologia; abria-se um outro campo de devastação das áreas florestais. Nas olarias, a fabricação de tijolos e telhas; nas fundições, oficinas e forjas, todas necessitando de grandes quantidades de lenha e carvão para tocarem seus fornos. Mais uma vez a natureza sofreria com mais um ataque de devastação. De todas essas novas incursões humanas que agrediam a natureza, depois da agricultura, a de maior peso na devastação foi a prática pecuarista. A maneira com que as pastagens eram preparadas inicialmente e, de tempos em tempos, as queimadas que eram feitas para a recuperação da forragem, acabavam, na maioria dos casos, extrapolando em muito as áreas inicialmente demarcadas. Warren Dean também vê um outro elemento de grande impacto devastador: a ação expansionista das linhas férreas pelo interior paulista. A modernidade dos trilhos tinha uma fome insaciável de madeira para dormentes, lenha e carvão. De todos os lados vinham as ações que acabavam, de alguma maneira, prejudicando as reservas florestais, colaborando para que chegássemos à situação atual, em que grande parte da vegetação atlântica foi destruída. “A ferrovia foi um imenso avanço na paisagem desembaraçada de quaisquer rastros além dos de pés humanos e cascos de gado e montaria. ...A derrubada de floresta, porém, se aceleraria, agora que o instrumento de penetração da fronteira se tornara acessível. ...As ferrovias fariam suas próprias demandas à floresta, porque exigiam grandes quantidades de dormentes... Embora as vias férreas que corriam para os portos queimassem carvão importado, as do interior normalmente queimavam lenha. O corte da lenha tornou-se, portanto, uma boa oportunidade econômica para proprietários de terra ao longo das vias.” (DEAN, 2004, p.226)   Feita essa relação entre os quatro autores e parte de suas obras, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Caio Prado Júnior e Warren Dean, percebe-se que cada qual, a seu tempo, usando de argumentações peculiares, olharam para uma mesma região e a interpretaram. De modo geral, nas partes mais específicas, traçaram o mesmo caminho em suas análises, basicamente seguindo, com desdobramentos que o espaço da obra e o tempo permitiram, os caminhos abertos por Euclides da Cunha. Mais uma vez mostra-se o valor das análises feitas por Euclides da Cunha, pontos de referência para tantos outros estudiosos desse Brasil em transformação.  HHH   Referências Bibliográficas: CUNHA, Euclides. Contrates e Confrontos. São Paulo: Cultrix, 1975. DEAN, Warren. A ferro e fogo. A história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Cia das Letras, 2004. LOBATO, Monteiro. A Onda Verde. Brasiliense. São Paulo: Editora Globo, 2008. PRADO JR, Caio. História Econômica do Brasil. São Paulo: Círculo do Livro, 1990.    

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