São José do Rio Pardo - segunda, 25 de setembro de 2017
"Esse país ainda não teve um interprete, eu posso ser o interprete que esse país ainda não teve."
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Postado em: 16/02/2016

A importância de Os Sertões 100 anos depois - Rachel A. Bueno da Silva


A importância de Os Sertões 100 anos depois Profª. Rachel Aparecida Bueno da Silva Os Sertões de Euclides da Cunha é sem dúvida uma obra perene e atual. Sua perenidade é atribuída a utilização de uma linguagem precisa e apurada, em um texto construído sobre tudo em adjetivações e antíteses, que ajudam na composição dos cenários perfeitos daquilo que é descrito. Expressões como: anticlinal extraordinária, grande homem pelo avesso, tróia de taipa, Hércules – Quasímodo, enriquecem seu texto criando imagens monstruosas, ricas e importantes para se tentar compreender o palco e a razão do episódio que se desenrolou no sertão baiano. Trata-se de uma grande obra por motivos estéticos, mas também pelo relato de um grande drama da nossa história, pelo seu lado humano e pela temática, que não é só brasileira. A atualidade da obra deve-se a inquietação que seu caráter de denúncia nos provoca. Problemas de origens sociais, ainda hoje são tratados pelo poder público de forma semelhante ao tratamento dado aos seguidores de Antônio Conselheiro. É um livro que nos dá a oportunidade de a partir de Canudos ter uma visão das classes oprimidas. O ressurgimento de figuras como a de Moreira César, o corta-cabeças, encarnadas em homens como os que comandaram a invasão da Penitenciária do Carandiru, ou dos assentamentos de terra de Eldorado dos Carajás (PA) e Corumbiara (RO), nos fazem ter certeza que passados mais de 100 anos, Canudos ainda vive. Episódios traumáticos como os ocorridos com as crianças da Candelária e com o crescente índice de violência nos atuais centros urbanos dão nos mostras do abandono social em que se encontra a população, principalmente a mais carente. A obra de Euclides é muito comentada e infelizmente pouco lida e o sertanejo brasileiro continua sendo um desconhecido e a vida no sertão, a cultura, os costumes , ainda hoje é uma grande incógnita para a maioria dos brasileiros. Um país cujo poder público privilegia investimentos na construção de presídios e não na construção de escolas não é de se estranhar que tenha um livro vingador com 100 anos, tratando de questões que ainda hoje são atuais. Ler Os Sertões é conhecer um pouco do Brasil e dos brasileiros.   Profª. Rachel Aparecida Bueno da Silva Campinas - SP Fevereiro / 2002

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